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BFI: Londres rende-se ao legado assombrado de John Carpenter

Halloween (1978)

Há esta noite Halloween (1978) com cópia nova hoje aqui em Londres, de boleia na nova onda de mortes deflagradas pelo mascarado Michael Myers. Ao mesmo tempo, temos nova edição em DVD deste fenómeno do susto à venda nas livrarias e lojas especializadas em cinema da capital inglesa. E não acaba aí o espetáculo. Alvo de homenagem em Veneza, assim como em Toronto, o artesão mor do sobrenatural, John Carpenter, realizador de Eles Vivem (They Live, 1988), vai receber as loas do BFI: London Film Festival, uma das maiores vitrines autorais da Europa, no dia 15, data na qual a secção Treasures do evento vai projetar a cópia nova, em 4k, de O Nevoeiro (The Fog, 1980). A sua produção custou estimativamente US$ 1 milhão (custos totais de filmagem e finalização) mas o projeto faturou US$ 21 milhões apenas nas bilheterias dos EUA. Jamie Lee Curtis está no elenco do filme, que aborda o pânico que se espalha numa cidade costeira após a aparição de uma névoa misteriosa no ar, cem anos depois de uma tragédia marítima decorrida no mesmo local.

Curiosamente, Jamie está à frente de um projeto que faz os carpenterianos salivarem: o novo Halloween, que estreia no fim do mês (25/10 em Portugal). Nele, o realizador David Gordon Green traz Jamie Lee Curtis de regresso à personagem que Carpenter lhe atribuiu no homónimo filme de culto de 1978, às voltas com o maníaco mascarado, Michael Myers. É um duplo reconhecimento ao legado de um mestre do terror, que já não filma mais, por falta de financiamento. A sua última longa-metragem, The Ward, data de 2010. Hoje, Carpenter compõe músicas e lança discos com suas bandas sonoras e melodias não aproveitadas em filmes, como é o caso do CD Lost Themes e a banda sonora do filme de Gordon Green, que entra em cartaz em outubro nos EUA, de boleia no Dia das Bruxas. E espera-se que vá ser um dos fenómenos populares de 2018 em bilheteira.

John Carpenter

O cinema de horror é político, crítico por natureza, o que exige de seus realizadores a necessidade de se trabalhar de forma independente da vontade dos estúdios”, disse Carpenter em uma entrevista Associação de Críticos do Rio de Janeiro para a produção do livro “O medo é só começo”, onde faz um balanço da sua carreira. “Filmes como ‘A noite dos mortos-vivos’ só foram possíveis, com toda a excelência que carregam, por terem sido desenvolvidos de forma livre. De modo geral, as pessoas têm medo das mesmas coisas: morrer, sofrer… Com a consciência do medo, posso trabalhar de modo mais frio, até porque, fui parar no terror para poder sobreviver, mas o que queria mesmo era fazer westerns. No terror, encontrei um espaço para criar”. John Carpenter, hoje com 70 anos, vive de direitos autorais dos remakes das suas obras e dos CDs de banda sonora, Com a fama de ter um temperamento de indigesto para o padrão das grandes corporações de Hollywood, Carpenter acabou perdendo espaço como realizador depois do fracasso comercial de Ghosts of Mars: Fantasmas de Marte, em 2001.

O seu último sucesso de bilheteria, Vampires, já contabiliza 20 anos. Porém, os seus filmes de juventude como The Thing (1982) e Assault on Precinct 13 (1976) são citados como referência por realizadores do mundo fora, de Quentin Tarantino a Kleber Mendonça Filho. Há uns três anos, versões em banda desenhada de dois de seus maiores êxitos de público. Big Trouble in Little China (1986) e Escape from New York (1981) tornaram-se bestsellers nos Estados Unidos, desafiando a hegemonia dos heróis da DC e da Marvel no mercado dos comics. E constantemente surge um novo remake dos seus clássicos. “Estou velho, cansado de trabalhar, mais interessado em me distrair e em receber os cheques gordos que me pagam para refazer as minhas ideias do passado”, disse Carpenter em entrevista ao The New York Times no início do ano, antes de ser convidado pelo festival de Veneza. “Não é mau envelhecer com as pessoas a pagar-te para usarem o seu nome em versões requentadas de filmes que me deram muito trabalho no passado”. Diante de todo o prestígio do realizador de They Live, acaba de sair no Brasil uma caixa de DVDs com o melhor de sua obra. A box reúne os filmes Dark Star (1974), Someone's Watching Me! (1978); e Body Bags (1993), além do já citado Assault on Precinct 13, refilmado há uma década com Ethan Hawke e Gabriel Byrne.

Dark Star (1974)

Falando em terror, neste sábado, o BFI – London Film Festival confere um terror à moda brasileira: Morto não Fala, de Dennison Ramalho (Ninjas). Daniel de Oliveira é o protagonista: um sujeito com a habilidade de ouvir os lamentos de defuntos. A sua trajetória por mostras de cinema fantástico pelo mundo fora vem sendo marcada por elogios.



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