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«Gatta Cenerentola» (Gata Cinderela) por Jorge Pereira

Sem sombra de dúvidas, a variação mais negra e curiosa do clássico conto da Cinderela, neste Gatta Cenerentola a ação centra-se em Mia, uma miúda de 17 anos Emo Punk extremamente reservada, que está prestes a casar-se com um bandido que quer transformar Nápoles na capital da criminalidade do mundo.

Assinado a quatro mãos, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone e Alessandro Rak, o filme passa-se quase na sua totalidade a bordo de um navio retro-futurista, logo após a morte do pai de Mia, assassinado após dar o nó com uma caça fortunas com várias filhas (e um filho, travesti) em conluio com outro criminoso. Mal o golpe dá frutos, a nossa Mia (Cinderela) é maltratada e extorquida, enxovalhada pela madrasta e irmãs, e o polo tecnológico de esperança que outrora o barco representava torna-se num antro de bandidagem, uma Cidade do Pecado.

O quarteto de cineastas não tem medo em sujar as mãos nesta animação que visualmente mistura animação 3D de trabalho computorizado com várias sequências 2D de traço mais clássico, criando um mundo esteticamente díspar mas extremamente funcional, entre a evolução tecnológica fantasista do início e a queda da nobilidade da cidade e entrada no mundo das trevas e do crime.

No meio disto tudo temos ainda um palavreado explícito e sequências apenas vistas no cinema adulto, como mortes graficamente intensas, mas também contamos com momentos musicais (Blues, Jazz, Napolitanas, Eletrónica) que acrescentam ao filme uma maior substância e um tom noir, capaz de acentuar o drama, o thriller e um ambiente de filme de gangsters.

Se o clássico da Disney teve direito a um meloso remake em imagem real, chamem Robert Rodriguez ou Stefano Sollima para refazer nos mesmos moldes este Gatta Cenerentola.


Jorge Pereira



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