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«Ethel & Ernest» por Jorge Pereira

É de uma intensa ternura esta adaptação da banda-desenhada de Raymond Briggs que se inspirava na vida dos seus pais, mas apesar da beleza e da paixão que toda a história invoca, nunca deixamos de ver um trabalho de recortes encaixados sequencialmente que nunca entram em grandes detalhes ou profundidade, nem saem da ligeireza de apenas e só uma sensível homenagem.

A história segue de 1928 até 1971 e nela acompanhamos a união de Ethel, uma dama de companhia, e Ernest, um trabalhador incansável. Paralelamente à história do casal, assistimos aos grandes marcos da história britânica e universal, como a chegada da 2ª Guerra Mundial, a massificação do telefone em casa, da TV, o pisar do homem na Lua e as mudanças políticas no Reino Unido.

Construído em 2D e mantendo-se profundamente fiel ao material original, Ethel & Ernest mostra também as transformações da sociedade ao longo do século XX, em especial o conflito geracional, num período em que ter o cabelo grande e estudar arte deixa de ser uma ocupação sem qualquer futuro.

Como referido, Ethel & Ernest é um trabalho profundamente doce que impele uma clara nostalgia do autor em relação à vida dos pais, do país e as transformações das condições de vida, mas estas memórias soam a peças soltas que - especialmente no pós-guerra - se apresentam com mais paixão que rigor ou profundura.

Uma nota final para a presença vocal de Brenda Blethyn e Jim Broadbent, que agarram nas suas personagens com tremenda candura.


Jorge Pereira



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