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«Al Berto» por André Gonçalves

Artistas pedem biografias que honrem a sua criatividade, mas que não façam também perder o espectador casual que tenha nestes biopics uma porta de entrada. É um equilíbrio que o cinema, regra geral, faz pender para a segurança académica. Pessoalmente, permitam-me o desabafo potencialmente herege: prefiro ligeiramente a segurança terna de Al Berto à verborreia "nonstop" no meio do "saber fazer" do tão aclamado Cartas da Guerra.

Filmado por Vicente Alves do Ó, que com este e Florbela, começa a ser a escolha, lá está, segura, para conduzir estas operações, o filme tem geralmente bom olho e opta, felizmente, por se focar num período específico na vida do poeta - o regresso deste a Sines em 1975, após ter estado em Bruxelas em exílio, em plena época pós-revolução, de ocupação de propriedades, e a descoberta de um novo amor, no meio de um clima hedonista, e consequentemente ofensivo para as gentes da terra.

Esta é também a história de João Maria, o irmão do realizador (que morreu infelizmente já em 2010), que assim aproveita também para homenagear nesta ode simples (demasiado simples para muitos, é certo) mas com a sua dose de esforço no retrato de época, e sem quaisquer pudores em expôr o sexo na sua vertente mais apaixonante.

Fica também como nota a sua generosidade perante este grupo de atores encabeçados por Ricardo Teixeira (Al Berto) e João Pimentão (João Maria), dando-lhes espaço, e alguns segundos de close-ups para poderem perdurar melhor na nossa memória. A história volta-se para eles, para falar desta figura no fundo omnipresente, mas também transiente nas suas vidas. É a história de uma geração esquecida orbitando em torno do sol que é Al Berto, portanto, que deixa ainda assim algumas pontas soltas.

Que Alves do Ó não consiga totalmente acompanhar o protagonista hedonista de uma forma igualmente libertária, é um criticismo válido - pese aqui ter um ou outro momento mais "surrealista"/poético. Mas o seu academismo, quando feito de forma tão amadurecida (se demasiado colada aqui e ali aos clichés do que esperamos de um filme sobre um libertário vs. a vila conservadora onde cresceu), merece a devida atenção.


André Gonçalves



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